GUIGNARD, Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, RJ 1896 - Belo Horizonte, MG, 1962). 

MEDIDAS

FRENTE: Composição construtivista assinada em 1956.

VERSO:  retrato de Konstantin Christoff (Strajitza, Bulgária 1923-Montes Claros, MG, 2011)

Óleo sobre madeira

Obra reproduzida fotograficamente no Livro Konstantin Christoff

GUIGNARD, Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, RJ 1896 - Belo Horizonte, MG, 1962). 
Cristo com dedicatória a Portinari

Procedência: Galeria Pinakotheke - Max Perlingeiro

TEXTO CRÍTICO:
Em 1943 na Escola Nacional de Belas Artes, sob o titulo de Grupo Guignard, o próprio Guignard orienta, Iberê Camargo e Waldemar Cordeiro.

Em 1944, já em Belo Horizonte, em seu curso livre na, hoje chamada, Escola Guignard, freqüentam suas aulas e absorvem suas idéias livres e progressistas, artistas como Amilcar de Castro, Lygia Clark e Farnese de Andrade.

Ou seja, importantíssimos movimentos da segunda metade do século XX, tem manifestos produzidos e assinados por grupos, dos quais compunham alunos de Guignard que, por seu temperamento e vastíssimo conhecimento artístico, de formação européia, estimulava-os à criação, à intuição e expressão. Gerando, além da inquietude, a possibilidade de criação de novas linguagens.

Certamente estamos diante de uma obra de cunho pessoal de Guignard. Uma obra única de sua coleção, marcada como maneira de propor, provocar e transitar à possibilidade do novo. Para melhor compreender essa obra, além de posicioná-la na época, faz-se necessário sua primaria desconstrução afim de perceber sua concepção construtiva. A obra trás elementos imperativos do concretismo, traços matemáticos e retos. O preenchimento dos espaços, se dá com cores que nos transportam a tons que visualizamos nas obras de outros artistas como: azuis em Lygia Clark, aos marrons em Iberê e aos pretos em Amilcar. O fator cromático também nos remete à época.

Essa obra não deve ser tratada como uma obra atípica e sim, como uma raridade. Trata-se de uma obra assinada por um grande artista que influenciou, nesta exata época artistas outros, que subscreveram movimentos transformadores na historia da arte brasileira. Ou seja trata-se de uma obra que, nenhum outro museu ou colecionador, poderá possuir. Desta forma torna-se, não a mais emblemática, mas a obra mais rara, o impar no conjunto da obra de Guignard.

Uma outa característica fundamental, além de estar reproduzida em livro, é o fato de que no verso do suporte, Guignard havia pintado uma clássica, lírica, de traços fluídicos e tintas liquefeitas, figura humana representando o artista búlgaro Konstantin Christoff.

Alexandre Paiva Frade